Introdução à Elementalística

Poucas coisas em toda a magnitude infinita do universo poderiam ser mais complexas do que o ser humano. Por mais que nos voltemos para nebulosas, buracos negros e cometas; nosso maior mistério continua sendo nosso desenvolvimento enquanto indivíduos e enquanto raça. Da mesma maneira que um dia adquirimos a compreensão do funcionamento dos sistemas solares e descobrimos a existência de planetas cada vez mais longínquos (como Urano, Netuno, Plutão e, mais recentemente, planetas em outros sistemas solares), certamente desvendaremos a matemática e a física que regem o restante do universo, em seu devido tempo. Mas e quanto a nós mesmos? Nossas motivações, desejos, sonhos e capacidades? Convido, neste artigo, àqueles que, como eu, consideram o ser humano a última fronteira do conhecimento. Mais, a que dá sentido a todas as outras.

Certamente os gregos estavam certos em suas parábolas quando mencionaram que os Deuses haviam escondido o conhecimento do Homem no local onde este teria a maior dificuldade em encontrá-lo, dentro de si mesmo. Sim, mesmo através das incontáveis pistas e analogias que encontramos ao longo de nossa vida, permanecemos cegos aos inúmeros avisos e conselhos que nos são dados. Certamente uma das mais difíceis experiências humanas consiste exatamente no confronto com o espelho. Essa é a proposta de todas as chamadas ciências/artes humanas (inclusive as chamadas esotéricas ou místicas). A fronteira final, o auto-conhecimento. Aqui me refiro desde a psicologia até a astrologia, da antropologia à quiromancia e, especialmente à corrente elementalística, da qual me ocuparei daqui por diante.

É inegável que tudo tem e teve um princípio, pois bem, o princípio do universo como conhecemos (independentemente de uma grande explosão ou outra explicação) se deu através das estrelas. Toda a matéria existente no cosmos esteve, um dia, condensada no núcleo de uma estrela. Conforme as escrituras, no início Deus disse: Faça-se a luz e houve luz na Criação. A luz, o calor, a energia que alimenta toda a vida, a força motriz de nosso sistema (não por acaso, solar), a bateria universal que nos dá os dias, as estações e a vitalidade. Este é o fogo primordial, o primeiro elemento, o ativo, o início, a fonte de vida e energia de todo o nosso sistema.

Então a matéria foi expelida do núcleo estelar e, aos poucos (em um período onde o tempo pouco significava), resfriou-se e agregou-se. Os detalhes deste processo ainda são um tanto nebulosos, mas tornam-se mais e mais nítidos à medida que nossa tecnologia evolui e se torna capaz de compreender semelhantes fenômenos. Foi então que surgiram os planetas e asteróides, com seus contornos e nuances únicos e magníficos. Esta é a terra, o segundo elemento, passivo, estável, fixo, a base corpórea de tudo o que existe.

Mas o processo ainda não estava completo, para que a vida surgisse, ainda era necessário o surgimento dos últimos dois elementos (e sim, eles são quatro embora sempre apareça alguém com o éter, o vácuo ou outro suposto quinto elemento). A energia irradiada pelo sol era forte e intensa demais, sua radiação destruiria qualquer matéria orgânica. Então surgiu a atmosfera, o escudo protetor que filtra a radiação solar e nos protege do impacto dos meteoritos. O ar, o segundo ativo, volátil e expansivo, sempre em movimento, o oxigênio que respiramos, a brisa que nos refresca.

Contudo, ainda assim, não era o bastante. Havia a necessidade do quarto elemento para que a vida surgisse, finalmente, em todo a sua plenitude e diversidade. Quando nosso planeta se formou, com sua órbita definida em torno da estrela-mãe e, a seguir, com uma atmosfera capaz de protegê-lo da radiação do universo delinearam-se os primeiros passos para que a divina passagem do inorgânico para o orgânico se desse. Faltava apenas o último passivo: a água, impenetrável, moldável e ilusória, a substância que forma ¾ de nosso corpo, ¾ de nosso planeta.

Somos todos: fogo, terra, ar e água. Seria tolice compará-los no sentido de maior e menor ou superior e inferior. Para a obtenção de equilíbrio, faz-se necessária à compreensão de todos eles, enquanto partes de um sistema integrado. Da mesma maneira que não haveria vida no planeta (e em cada um de nós) sem a presença de um deles, a supressão ou excesso de qualquer um dos mesmos nos traz determinados problemas. A partir deste ponto (que será a temática de artigos futuros, especificando cada um dos quatro elementos) deve-se compreender que a harmonia (íntima de cada um e, conseqüentemente, com o universo) somente é possível através do conhecimento das forças que nos movem e conduzem.

Neste sentido, a elementalística nos oferece uma poderosa ferramenta para a compreensão e autodeterminação do ser humano, pois, como todos os ramos que visam o conhecimento do Homem, é capaz de diagnosticar eventuais distúrbios (bem como potenciais desprezados) em cada um de nós. Entretanto, não é capaz de alterar, por si só, o âmago de ninguém. Conforme bem sabido, somos dotados de livre arbítrio e compete a nós (e somente a nós) decidir nosso caminho e determinar nosso destino (e principalmente a maneira como iremos ter com ele). As linhas da mão, as linhas das estrelas, as linhas dos elementos, mostram quem somos. No entanto, somente a vontade consciente é capaz de nos dar a liberdade de decidir quem seremos e por quais caminhos iremos seguir na transposição desta distância, freqüentemente tão árdua e nebulosa.